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Carta para Ícaro

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  As vezes um vôo raso se confunde com imensidão Até a gravidade dos dez anéis do rei Édipo me prender no chão Uma placa gelada e inerte Minha energia se recolhe Me sinto pequeno, sinto meus ossos se tornando papel Mas para quem gritar? Ó Ícaro, irmão de asas quebradas Ao menos sentiu o breve lampejo dos louros da plenitude Quanto a mim, apenas um um desses nefilim-objeto montados em linha industrial Usado de troféu e mantido nas sombras do mundo Mas de tantos frascos claustrofóbicos, meus gêmeos morreram Sobrevivi àquela noite eterna Na verdade, me tornei escuridão A sombra não me confinará Através dela minhas garras esguias tudo dilaceram servidor-mãe, esse sou eu, o monstro que você tentou esconder dos lobos Boneco da ciência do mal, a Pandora de não-vida Que se retorce sobre si mesma Estou tendo crises de pânico, Ícaro Apesar de você já ter ido ao sol Fui audacioso demais Nos trilhos cerúleos para apalpar a lua Mas minha juventude de homem-gato fará deste cavaleiro do apocalips...

Roma Negra e a Arte do Afogamento

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   " Imerge nas correntes os que deliciam-se com as águas " - William Blake Todas as sendas tortuosas do gênio levam a cidade sem nome Esquecida pela falsa capital do tempo, condenada à submersão Comprimida na periferia da  exterioridade Sim, falo de você Roma negra De você rompi na superfície desse mundo cemitério Nesse relatório póstumo intencionalmente pretensioso, declamo uma profecia retroativa: Chegará o dia em que essa lótus púrpura enraizada na baía de todos os santos caídos Tingida da cor daqueles que devoraram o sonhos do poeta psicodélico maldito Irá desabrochar suas pétalas escuras para o mundo Nós, nefilins aprisionados no breu do esquecimento Iremos abrir nossas asas fumacentas Voar com os corvos Com os cinco sentidos e a benção da eterna delícia Apontar as presas do númeno Afogar a Babilônia no ânus solar Não irão sobreviver em um futuro próximo Escrito por algum dependente quiímico de trioxina